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Desde a antiguidade o homem vem desafiando sua capacidade física, objetivando cada vez mais a superação de marcas de velocidade e da capacidade de resistência, como desafio à natureza do organismo humano. Sob o ponto de vista histórico, a atenção científica sobre os diversos mecanismos orgânicos ligados ao esforço físico e às alterações fisiológicas que ocorrem durante o transcorrer do exercício em humanos, iniciou-se por volta de 1920, quando foram realizados estudos objetivando o conhecimento das possíveis causas bioquímicas e fisiológicas que levavam a graves manifestações de fadiga durante e após o exercício. Entretanto, tão somente na década de 60 é que foram realizadas pesquisas com metodologia científica, estabelecendo-se uma nova área de conhecimento médico denominada medicina esportiva, que evoluiu como ciência do exercício no meio científico internacional. Tanto isto é real, que muitas das marcas atléticas anteriores há esta década foram superadas por atletas dos países que desenvolveram tecnologias e métodos científicos de avaliação da fisiologia e da fisiopatogenia do exercício, como os EUA e alguns países do leste europeu, estimulando a pesquisa nesta área de conhecimento médico, que recebe vultosas quantias em recursos financeiros. Outro aspecto a ser levado em consideração, referente ao conhecimento da fisiologia e da fisiopatologia do exercício, é a crescente preocupação da comunidade científica e da população em geral, com a melhoria da qualidade de vida, mantendo um organismo saudável e livre do empirismo atlético danoso, através de atividades físicas orientadas e respaldadas no conhecimento da capacidade do organismo. Isto só se torna possível conhecendo-se a fisiologia e a habilidade de resposta às exigências do exercício controlado e da atividade atlética desafiadora. Seguindo a mesma linha de indagação científica da atividade física e atlética do homem, os eqüinos, importantes como meio de transporte e de trabalho desde os tempos mais remotos, foram submetidos a estudos sobre a fisiologia do exercício em 1934 por Procter et al., objetivando o conhecimento do metabolismo energético, em particular no que se referia aos fenômenos decorrentes do trabalho realizado por Equinos de tração. Pode-se considerar os estudos de Procter et al. (1934) como o primeiro marco no conhecimento da fisiologia do exercício nos eqüinos. Somente muito tempo depois, nas décadas de 50 e 60 com Irvaine (1958) e Pearsson (1967), é que foram realizados estudos sobre as alterações hematológicas relacionadas ao exercício, estudos estes que se constituíram no segundo marco da medicina esportiva eqüina. O terceiro marco da medicina esportiva eqüina ocorreu na década de 80 com Irves (1983) e Swan (1984), que publicaram livros sobre treinamento de cavalos, que tinham por base a aplicação de protocolos simples que exaltavam a possibilidade de sucesso atlético, sucesso esse que na prática não se confirmou devida à falta de embasamento científico e de conhecimentos mais profundos de metodologia científica aplicada. O quarto marco do conhecimento da medicina esportiva eqüina, com base científica, ocorreu no final da década de 80 até o início do novo milênio, quando foram desenvolvidos estudos que uniram os conhecimentos da fisiologia em geral, notadamente da biodinâmica dos cavalos, da bioquímica da energia, do sistema cardiocirculatório, do sistema respiratório, do sistema nervoso, do sistema músculo-esquelético, da genética e da saúde animal. Este complexo quadro de conhecimentos foi interligado e desenvolvido a favor da fisiologia do exercício, e, conseqüentemente, do conhecimento das aptidões atléticas dos cavalos, por equipes multidisciplinares, destacando-se os trabalhos de Bayly (1989); WAGNER et al. (1989); Sheeherman & Morris, (1990); Art & Lekeux, (1993); Rose e Hodgson (1994); Derman & Noakes, (1994); Evans et al., (1995); Mckeever & Hinchcliff, (1995); Christley et al. (1999); Katz et al. (1999); Roberts et al. (1999); O-Oosterbaan & Clayton, (1999); GOETZ et al., (2001); MANOHAR et al. (2001) e Marlin (2001), e no Brasil por Meirelles e por Fernandes (1994), entre muitos outros produzidos por pesquisadores da medicina esportiva eqüina. Atualmente, sabe-se da inexistência de métodos simples para proporcionar o sucesso atlético em cavalos, uma vez que há a necessidade de uma complexa interação das avaliações dos sistemas músculo-esquelético, nervoso, respiratório e cardiovascular, para a obtenção do máximo desempenho. Assim sendo, a capacidade e a integridade destes sistemas frente ao exercício representam um índice substancialmente importante na determinação do potencial de performance, de forma que, pesquisas forneceram a oportunidade da utilização de métodos modernos de avaliações e programas de treinamento do cavalo pelos proprietários, treinadores e médicos veterinários. É de suma importância que se destaque que os conhecimentos obtidos, assim como os princípios utilizados na ciência do exercício em humanos, nem sempre são possíveis de serem aplicados para o treinamento de eqüinos, uma vez que os treinadores de atletas humanos contam com o relato objetivo do atleta, das sensações e das dificuldades encontradas durante o transcorrer do exercício. Infelizmente, para os treinadores de cavalos e os pesquisadores da medicina esportiva eqüina, esta inter-relação direta não ocorre, estando na dependência de relatos das sensações do ginete e da observação da psique e do comportamento atlético dos cavalos. Em razão dessas peculiaridades, é improvável que programas e protocolos utilizados em treinamento possam atender a especificidade necessária para cada cavalo. Há que se considerar que, atletas de alto desempenho, sejam eles humanos ou cavalos, quase sempre são compelidos a se exercitarem próximos ao limite entre o máximo de esforço suportável pelo seu organismo e o excesso de treinamento. Fatores ligados ao desempenho atlético:Independentemente da atividade esportiva ou da espécie, a habilidade atlética é determinada por 4 fatores principais: Genética, Ambiente, Saúde e Treinamento. Destes quatro fatores, depois dos fatores genéticos, o treinamento seria a variável mais importante para determinar o sucesso desportivo do atleta hígido. Neste sentido, os programas de treinamento de eqüinos devem objetivar os seguintes aspectos:
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